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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

AZBox: como funciona o decodificador mais polêmico do Brasil?

Em tempos de SOPA,
muitas pessoas vêm buscando meios alternativos para obter conteúdo
ilegal. As restrições na web aumentam a cada dia, por isso muitos
consumidores cogitam a possibilidade de investir em aparelhos piratas
para ter acesso aos pacotes especiais das emissoras de televisão por
assinatura.


A ideia não é nova, aliás, já faz tempo que existem dispositivos para
desbloqueio de canais pagos. Contudo, de uns tempos para cá, o assunto
popularizou-se de uma forma incrível. Nomes como AZBox, Lexuz Box e
AZ-America vêm ganhando destaque. Esses receptores oferecem facilidades
para realizar a liberação dos canais de TV a cabo.



(Fonte da imagem: Divulgação/AZBox)


Mas, afinal, como funciona um AZBox? É legal utilizar produtos com
tal funcionalidade? O que os consumidores que possuem tais aparelhos
alegam? Tudo isso e muito mais é o que vamos abordar neste artigo
especial que visa sanar todas as suas dúvidas.


Canais pagos com gambiarra


Antes de explicarmos o funcionamento de um AZBox, vale uma pequena
introdução ao modo de atuação de um receptor homologado pelas
operadoras. Abaixo, simplificamos em alguns passos como ocorre o
processo entre a transmissão do canal e a decodificação no dispositivo
que é instalado na casa do assinante, confira:


  1. A emissora transmite todos os canais para todos os assinantes;
  2. O aparelho recebe o sinal através de satélite, cabo ou antena (MMDS);
  3. A transmissão da operadora vem com algumas chaves secretas, as quais
    servem para identificar o tipo de pacote contratado pelo assinante;
  4. Um cartão instalado dentro do decodificador possui códigos que vão permitir o desbloqueio apenas dos canais adquiridos;
  5. Depois de validar informações com a operadora, o dispositivo vai liberar o conteúdo do pacote.


(Fonte da imagem: Divulgação/Sky)


Os aparelhos AZBox funcionam de maneira semelhante, porém, algumas
etapas são bem diferentes. Antes de mais nada, vale salientar que o esse
produto funciona apenas com transmissões de satélite - os dispositivos
similares servem para outros tipos de sinais. Veja no esquema abaixo
como este decodificador desbloqueia os canais pagos:


  1. Depois de instalar aparelho e a parabólica, o sinal chega até a casa da pessoa normalmente;
  2. O AZBox verifica o tipo de transmissão que está entrando pelo cabo RF;
  3. Nesta etapa, o dispositivo precisa de dois "programas". Na
    realidade, esses softwares são códigos para que o receptor consiga
    interpretar as chaves secretas da TV por assinatura. O primeiro serve
    para sintonizar os canais, e o segundo para destravá-los;
  4. Se os códigos do produto estiverem desatualizados, então o
    decodificador vai apresentar mensagens como "Canal codificado" ou "Sem
    sinal". Do contrário, tudo vai “florir” perfeitamente;
  5. Diferente dos aparelhos homologados, o AZBox não precisa realizar
    uma autenticação com a operadora, o que facilita o desbloqueio dos
    canais.


(Fonte da imagem: Divulgação/Sky)


No caso do Lexuz Box, que é um receptor voltado para desbloqueio da
NET, o processo é um pouco diferente. Como o sinal é transmitido via
cabo, a pessoa que usa o aparelho pirata precisa contratar pelo menos o
serviço mais básico da operadora. Depois de adquirir um plano, basta
substituir o dispositivo original pelo alternativo.


Gírias especiais e atualização dos códigos


Se você reparou bem na explicação acima, deve ter percebido que
utilizamos a palavra "florir" como sinônimo de desbloqueio dos canais.
Ocorre que os códigos dos aparelhos AZBox, Lexuz Box e Az-America não
funcionam para sempre. De vez em quando, as operadoras trocam todos os
códigos secretos para diminuir o número de receptores ilegais captando o
sinal.


Quando isso acontece, os proprietários dos dispositivos piratas
precisam encontrar novos firmwares na internet. Os programinhas de
desbloqueio nem sempre são disponibilizados de imediato, pois tudo
depende da boa vontade de alguns experts para encontrar as novas chaves
secretas.



Sky, também conhecida como Céu (Fonte da imagem: Divulgação/Sky)


Para evitar que os fóruns, órgãos governamentais e operadoras de TV
por assinatura identifiquem com facilidade as postagens com os códigos
secretos, os piratas usam algumas gírias para se comunicar e,
consequentemente, evitar o bloqueio das mensagens. Veja alguns dos
principais termos usados pelas pessoas que usam TV a cabo ilegalmente.


  • Florir = Liberar canal
  • Adubo = Código de desbloqueio
  • Jardim = Todos os canais
  • Flores = Canais
  • Céu = Operadora de TV Sky
  • BET = Operadora de TV NET
  • F90 = Nome dado a um dos aparelhos Lexuz Box

Dito tudo isso, é provável que você esteja curioso quanto à
atualização dos receptores. A grande maioria dos decodificadores
alternativos conta com porta USB. Assim, tudo que o pirata precisa fazer
é baixar um firmware atualizado de algum fórum, copiá-lo para um
pendrive e, então, conectar o dispositivo ao AZBox. Em nossas pesquisas,
vimos diversos relatos de que a instalação dos códigos é muito rápida e
automática.


Afinal, é ilegal?


Na tentativa de se isentar de culpa, os piratas apelam para uma
desculpa que segue certa lógica. O papo começa justamente pelo modo como
o sinal chega até a casa das pessoas. Em pequenas visitas a fóruns,
pudemos perceber que as pessoas dizem não ter qualquer culpa pelo sinal
estar circulando no “espaço público”. Claro, falamos aqui da pirataria
de sinais por satélite e antena, pois através de cabo existe a
necessidade de contratar um serviço básico.


Os piratas alegam que o aparelho é produzido legalmente por empresas
europeias, o que é deveras verdade. Contudo, poucos sabem que a
aquisição desses dispositivos é considerada como crime de receptação de
mercadoria ilegal. Caso a pessoa seja pega com um decodificador desses,
ela pode ficar em detenção por até um ano.



Ampliar (Fonte da imagem: Divulgação/AZBox)


Existe ainda o problema de acessar a conteúdo com direito autoral. As
pessoas não se importam com isso, pois afirmam que obtêm os códigos na
web, não efetuando a transferência de arquivos com proprietários para
seus computadores. Todavia, vale salientar que usar TV por assinatura
sem pagar os devidos valores pode ser considerado como crime de violação
de direito autoral.


Apesar de todas essas considerações, as pessoas usam aparelhos
piratas de qualquer forma, pois não é tão simples apreender um
dispositivo ilegal. Primeiro que a justiça teria de investigar cada uma
das casas com satélites ou antenas. Segundo que seria necessário obter
mandados para todas as residências que sofressem inspeção. Como fazer
isso? Impossível. Não há meios, tampouco funcionários suficientes, para
realizar as autuações.


De quem é a culpa?


Quando o assunto é pirataria, fica difícil identificar culpados e
quais os reais motivos que levam tantas pessoas a optar pela
ilegalidade. Muitos consumidores alegam que usam decodificadores
alternativos por conta dos altos preços cobrados pelas operadoras de
televisão por assinatura.


Outros preferem dar uma desculpa brasileira e afirmam que não faz
sentido pagar por algo que pode ser obtido de graça. A mesma justificava
de tantas pessoas que baixam conteúdos ilegais da web e usam softwares
piratas.



É fácil encontrar o firmware e os códigos... (Fonte da imagem: Reprodução/AZ America)


Entretanto, a culpa da pirataria rolar solta não é necessariamente
das pessoas que usam esses aparelhos. Alguns profissionais de
telecomunicações veem o outro lado da moeda, jogando a responsabilidade
para as operadoras, relatando que as empresas deveriam investir em
segurança reforçada e métodos de autenticação mais eficientes.


Por último, o governo leva uma parte da culpa, justamente por não
barrar de uma vez por todas a comercialização dos receptores. Apesar de
estar proibida a entrada desses produtos no Brasil, a fiscalização não
parece ser muito eficiente, sendo possível encontrar vendedores em todos
os cantos da internet.


Os verdadeiros criminosos


Se não for ilegal, usar aparelhos piratas é no mínimo imoral.
Contudo, as pessoas que “roubam” os canais pagos não cometem crimes tão
horrendos. No ramo da pirataria de TV a cabo, os principais vilões são
os malandros que cobram para liberar os códigos ou que muitas vezes
criam um sistema para que as pessoas sejam dependentes da compra de
novas atualizações.



Esses sujeitos são os da pior espécie, visto que eles lucram em cima
de um serviço ao qual eles não têm qualquer direito. Alguns criminosos
oferecem cartões e decodificadores homologados, criando uma rede de
clientes que pagam valores mais baixos que os da operadora, mas
enganando as pessoas com uma TV a cabo que é muito suja e ilegal.


Será que compensa?


Aparelhos como AZBox vêm ganhando muito espaço no mercado, porém, ao
mesmo tempo, eles estão cada vez mais na mira das companhias. Para
piorar a situação, os preços das TVs por assinatura não baixam, visto
que o número de piratas aumenta cada dia mais e, no fim, quem paga tudo é
o cliente honesto que adquiriu um pacote devidamente regulamentado.


E mais, o que muitos não veem é que se todos usarem dispositivos
piratas, o serviço deixa de existir. Além disso, algumas pessoas não
pensam que um número maior de clientes poderia baixar os valores. Isso
sem contar na facilidade que a aquisição legal gera, visto que não é
necessário explorar o submundo da web para encontrar códigos de
desbloqueio ou até ficar na mão de salafrários.



(Fonte da imagem: Divulgação/AZ America)


Claro, devemos considerar que os lucros dessas empresas parecem ser
absurdamente altos, além de que os planos oferecidos não agradam a
todos. Talvez criar pacotes totalmente personalizados seria uma atitude
lógica, pois cada um contrataria apenas o que é do seu interesse. Porém,
nada é do jeito que o consumidor espera. Torçamos pela chegada dos
serviços de TV por streaming.

Justiça Federal proíbe a venda de aparelhos para piratear TV a cabo


Venda de aparelhos que pirateiam sinal agora é proibida!


A Justiça Federal declarou como proibida a importação e a venda de
aparelhos receptores que possibilitavam piratear o sinal das
transmissoras de TV por assinatura. Da mesma forma, toda e qualquer
publicidade relacionada a um desses dispositivos também está
terminantemente vetada. A decisão foi tomada ontem pelo juiz Marcelo
Mesquita Saraiva, da 15ª Vara, em São Paulo.


A medida foi estabelecida tendo como base o fato de que esses
aparelhos estavam em desacordo com a Lei Geral das Telecomunicações.
Esse tipo de dispositivo permitia que o usuário fosse capaz de captar o
pacote completo de canais de uma empresa de TV a cabo, mesmo que não
houvesse contratado o serviço.


Ou seja, ele possibilita que a pessoa recebesse acesso total mesmo
quando assinando apenas um plano básico com a transmissora (sem qualquer
custo adicional).


Processo e resolução


O processo para a proibição dos aparelhos foi aberto há seis meses
pela ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), SETA
(Sindicato Nacional das Empresas Operadoras de Televisão por Assinatura)
e SINCAB (Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Sistemas de TV por
Assinatura e Sistemas Especiais).


Segundo a ABTA, são vendidos entre 500 e 700 mil aparelhos por mês,
representando um prejuízo mensal estimado de R$ 100 milhões às empresas
de TV a cabo. O juiz da 15ª Vara em São Paulo, Marcelo Mesquita Saraiva,
contemplou que o uso dos aparelhos (como Azbox, Azamerica e Lexusbox)
se enquadrava em concorrência desleal para as empresas e declarou o uso
dos conversores vetado.


Também foi solicitado por parte do juiz que os importadores fossem
notificados, bem como as empresas que permite a publicidade sobre os
aparelhos.


Fonte da Noticia: http://www.tecmundo.com.br/tv-a-cabo/19621-azbox-como-funciona-o-decodificador-mais-polemico-do-brasil-.htm

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